Atendimento a mulheres que perdem o bebê no início da gestação é falho

Segundo especialistas, médicos e hospitais devem ser mais sensíveis à situação para evitar que a gestante tenha sua estrutura emocional abalada e sinta-se culpada pela perda.

Acontecimento comum na medicina, já que uma em cada quatro gestações é interrompida, a sensação desagradável vivenciada pela mãe geralmente ocorre de forma solitária, já que nem a família, nem amigos, tocam no assunto e médicos, muitas vezes, não tratam o fato com a devida sensibilidade.

As perdas antes da 22ª semana de gestação são classificadas como “aborto espontâneo”, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Cerca de 20% a 30% das mulheres grávidas apresentam algum tipo de sangramento ou cólica pelo menos uma vez nesse período de gestação, indicam estudos.
“Em aproximadamente 50% dos casos, as causas da interrupção estão ligadas a anomalias cromossômicas, que são responsáveis por malformações”, explica a ginecologista Dra. Flávia Fairbanks.

Segundo a médica, cerca de 70% destes casos é conseqüência de problemas com a gestante, sendo o restante relacionado a causas desconhecias. “Problemas no colo uterino, que se dilata antes do término da gestação, algumas infecções ocultas como a urinária ou corrimentos vaginais mais graves e não tratados adequadamente, ou alterações imunológicas ou da coagulação sanguínea denominadas trombofilias, têm ligação com estes abortos, chamados de tardios”, revela Dra. Flávia.

“A necessidade de intervenção médica depende da idade gestacional em que ocorreu o aborto e se há possibilidade de eliminação completa espontânea do material. A partir do momento do diagnóstico da não-evolução da gestação, podemos aguardar até quatro semanas para que haja um sangramento natural ou que o organismo materno inicie a eliminação do produto conceptual. Passado esse prazo, há um aumento dos riscos de alterações de coagulação e infecções e, então, o obstetra precisa intervir”.

Como principais sintomas, Dra. Flávia aponta: cólicas intensas na parte inferior do abdômen, contrações uterinas precoces e sangramento vaginal. Segundo ela, o diagnóstico é realizado conforme relato da paciente e com exames como ultrassonografia, onde se pode então perceber a ausência de batimentos cardíacos no embrião. Em perdas gestacionais precoces a parada de subida dos níveis de Beta HCG auxilia o diagnóstico.

A psicóloga Dra. Léa Michaan explica que o aborto involuntário é a perda da esperança, do sonho e da renovação da vida na perspectiva da mãe.  “Temos de estudar caso a caso, principalmente a estrutura emocional da mulher, sua história de vida e como ela encara os problemas do cotidiano”, explica. De acordo com a profissional, a maioria das pessoas acha que a dor da perda é proporcional ao tempo vivido com o filho. “Quanto mais cedo esta perda, mais o sentimento de culpa aflora junto aos pais, já que acham que falharam ao não conseguirem proteger um ser que ainda não consegue se defender”, revela.

Dra. Léa alerta para a importância de os médicos e hospitais serem mais sensíveis à situação, para auxiliar, principalmente a mulher, neste delicado momento. “Primeiro, como será passada a informação e como ela será assistida psicologicamente. Um dos principais pontos é não colocá-las junto a pacientes que acabaram de dar à luz”, finaliza.

Dra Flavia Fairbanks

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Identidade Sexual e Preferência Sexual

A identidade sexual indica a percepção individual sobre o gênero que uma pessoa nota para si mesma. Assim como o termo sexo pode assumir várias interpretações, costuma-se separar orientação sexual do conceito de identidade sexual. O termo identidade de gênero aproxima-se da identidade sexual, mas também mantém diferenças conceituais significativas.

A identidade sexual pode ser exclusivamente masculina ou feminina. Também pode manifestar uma mistura entre a masculinidade e feminilidade, admitindo várias categorias entre homossexualidade (com inversão sexual de papeis de gênero), travestibilidade e transexualidade. A identidade sexual difere em conceitos da orientação sexual pois a identidade sexual fundamenta-se na percepção individual sobre o próprio sexo, masculino ou feminino percebido para si, manifestado no papel de gênero assumido nas relações sexuais, enquanto a orientação sexual fundamenta-se na atração sexual por outras pessoas.

Difere também da identidade de gênero no sentido em que a esta é mais correlacionada com a maneira de se vestir e de se apresentar na sociedade, enquanto a identidade sexual diz respeito mais diretamente com o papel de gênero sexual.

O termo orientação sexual é considerado, atualmente, mais apropriado do que opção sexual ou preferência sexual. Isso porque opção indica que uma pessoa teria escolhido a sua forma de desejo, coisa que muitas pessoas consideram sem sentido. Assim como o heterossexual não escolheu essa forma de desejo, o homossexual (tanto feminino como masculino) também não, pois, segundo pesquisas recentes, esta orientação poderá estar determinada por fatores biogenéticos, sejam questões hormonais in utero ou genes que possam determinar esta predisposição.