Estudo mostra evolução na detecção de câncer de ovário

Recente estudo científico pode auxiliar no combate ao mais letal tumor ginecológico, responsável pela quarta maior causa de morte por câncer em mulheres

Um estudo publicado recentemente na revista norte-americana “Lancet Oncology” tornou-se esperança para detecção precoce de um dos tumores mais letais registrados nas mulheres. Apesar de não estar entre os mais prevalentes, o câncer de ovário é um dos mais difíceis de ser diagnosticado, tornando-o também um dos mais perigosos. A dificuldade de diagnóstico é devido ao comportamento deste tumor, que não dá sintomas nas fases iniciais, fazendo com que a paciente só o encontre em fases avançadas da doença, quando pode apresentar queixas inespecíficas como dor de estômago, obstipação intestinal, aumento do volume abdominal e fraqueza. Quando diagnosticados na fase inicial, a chance de sobrevida do paciente é de 90%.

A pesquisa combinou a realização do ultrassom com um exame de sangue que identifica um composto identificado como CA-125. O estudo foi realizado com 200 mil mulheres e, em 90% dos casos, o câncer de ovário foi detectado no grupo que realizou os dois exames. Já naquelas que fizeram apenas o ultrassom, foram identificados 75% dos casos positivos. “Lamentavelmente não existe, até hoje, comprovações de um único exame que detecte precocemente um câncer de ovário com exatidão. A publicação desse estudo é um novo alento em nosso trabalho na busca por um combate eficiente da doença”, afirma a ginecologista Dra. Flávia Fairbanks.

Normalmente, os casos surgem a partir dos 40 anos. Sendo assim, Dra. Flávia recomenda que, desde esta faixa etária, as mulheres realizem ultrassonografia anualmente. “Além de detectar problemas no ovário, o ultrassom também avalia o endométrio e a parede uterina podendo identificar possíveis alterações no órgão”, declara.

A profissional complementa com um alerta importante. “Já o famoso exame Papanicolaou não é capaz de detectar câncer de ovário; sua realização é apenas para identificar problemas no colo do útero”, afirma.

A ginecologista alerta para outro problema bastante comum entre as mulheres, mas que não deve ser razão para desespero: a presença de cistos no ovário. “Cistos são muito mais comuns, ficamos mais preocupados quando eles são maiores que 5 centímetros e possuem áreas sólidas e líquidas. Nesse caso, quando detectado, a cirurgia é o tratamento mais indicado. Se a doença for identificada no início - especialmente nas mulheres mais jovens - é possível tentar remover somente o cisto e preservar o ovário, para preservar a fertilidade da mulher”, finaliza.

Dra Flavia Fairbanks

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Prevenção

É difícil prevenir a endometriose, mas as medidas que reduzem o fluxo menstrual podem ser eficazes em alguns casos. Sendo assim, as usuárias de contraceptivos hormonais (orais como as “pílulas” ou não-orais como as injeções, anel vaginal, DIU medicado com progesterona ou implantes) podem estar se protegendo da ocorrência da doença. Raciocínio semelhante se aplica aos fatores que aumentam o fluxo menstrual. Desse modo, consideramos que o DIU convencional de cobre e aumentos do volume uterino causados por miomas e adenomiose podem estar relacionados à maior ocorrência da doença.